Estamos de mudança!!!

Já notaram que as coisas andam meio paradonas por aqui?

temos um motivo! É que estamos de mudança!!!

O Eu mamãe agora é .com!!!

Então se você quiser continuar acompanhando esta minha aventura de ser mãe acesse www.eumamae.com 

Todos os antigos posts do blog estão lá e novos virão!!!!

Tem layout novo, identidade visual e muitos planos para 2014! Estamos só começando!!!

Vem com a gente!

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Os dias ruins

Tem certos dias em que nada dá certo, eu já acordo errada. Não acho a roupa que eu queria vestir, a casa parece mais suja, a comida não fica como eu quero, o banco está cheio, o telefone toca, os emails não chegam… nada dá certo, tudo irrita, dá vontade de sumir! Isso não tem nada a ver com ser mulher, com estar com TPM e muito, muito importante, não tem ABSOLUTAMENTE NADA a ver com ser mãe. Duvida? Abra sua página do facebook ou do twitter agora e veja quantas pessoas sem filhos estão tendo um dia ruim, você vai se surpreender com o número de pessoas ‘se sentindo tristes/cansadas/exaustas’…

Mas acontece que há um ano sou mãe. E se antes quando eu estava tendo um dia ruim eu podia simplesmente fechar a cara e esperar o dia passar, hoje eu tenho que atender os milhares de chamados de “Mãmãin”, recolher aquelas moedas que insistiram de cair do meu bolso antes que a pequena as encontre, limpar a banana que ela amassou no chão, dar água, dar comida, trocar a fralda – pelo menos enquanto o Diego não chega do trabalho.

Pode parecer apocalíptico para algumas pessoas, não dá tempo nem de curtir um mal humor, mas  a verdade é que toda essa correria, inevitável quando se tem um bebê de um ano em casa, tem muitos lados positivos e um deles é justamente que você para de perder tempo com o que não é essencial… Todos nós temos dias ruins, dias de mal humor, dias em que nada dá certo, mas às vezes transformamos o que podia ser uma manhã ruim em uma semana ruim, um mês péssimo, um ano a ser esquecido. Quando se tem um bebê em casa não dá pra ficar remoendo pequenas coisinhas…

Hoje eu poderia estar aqui me remoendo para vocês, dizendo que não paro um minuto desde que a Mônica começou a engatinhar, que guardar as roupas em uma gaveta virou tarefa para duas pessoas – uma distrai o bebê e outra guarda as roupas antes que ela veja e tire tudo de dentro da gaveta – que meu chão vive cheio de restinhos de fruta, que não tenho tempo pra nada… Mas não, porque eu sei que sempre tive meus dias ruins, muito antes de ser mãe, que esses dias em que me sinto mais cansada, mais desanimada não tem nada a ver com a mônica, são meus. Eu poderia sair gritando com ela para que não jogue os livros da minha estante no chão, mas não vou fazer isso, vou juntá-los, subir de prateleira os que não quero que ela mexa e seguir brincando…

E quando vejo o dia já não está mais tão ruim, pois me dou conta que não havia motivo para estar se sentindo mal – e tudo continua igualzinho estava antes!

 

 

Um ano… É só o começo!

Há um ano atrás

Há um ano atrás

Dia 4 de fevereiro, ela nasceu, nós nascemos, eu o Diego e a Mônica, às 19:34 do dia 04 de fevereiro de 2013, nascemos os três…

Eu teria muita coisa para falar sobre este ano, tantas descobertas, tantas mudanças, tantas conquistas… Mas seria um clichê, escolhi então um momento do qual sempre me lembro…

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A Mônica tinha por volta de 3 meses, havia dado sua primeira gargalhada há pouco tempo. Ela dormia no meu colo, no sofá da sala eu e o Diego nos olhávamos em silêncio, ainda maravilhados com a perfeição daquela pequena vida que tranquilamente suspirava em cima de mim.

Olhei pra ele e disse – “tu consegue imaginar que um dia foram nossos pais nos olhando assim, encantados com a gente?”.

Ele encheu os olhos d’água, eu também. Não precisamos de palavras para um entender o que o outro estava sentindo naquele momento… Entendemos ambos que, a partir do momento em que nos tornamos pais, nos aproximamos um pouco mais dos nossos pais e conseguimos ter a dimensão do amor que eles sentem por nós.

No amor que sentimos pela Mônica sentimos o amor que recebemos de nossos pais e é assim que, há um ano, a cada conquista, cada nova habilidade, cada momento bobo em que me pego olhando para minha filha com um encantamento de quem vê uma obra de arte eu  sinto o olhar de meus pais sobre mim e me sinto profundamente amada.

Há um ano eu sou eu, minha mãe e minha filha. Um sentimento inexplicável de continuidade, de eternidade, de pertencimento. Há um ano ganhei o poder de viajar no tempo e me sentir um bebê nos braços da minha mãe… E é ainda só o começo!

Um ano depois

Um ano depois

Dando visibilidade ao discurso materno dentro do feminismo

Eu sempre tive uma certa simpatia pelo movimento feminista, mas nunca me considerei feminista pois não estudei a fundo as bases, não tenho conhecimento teórico e muito menos experiência na militância feminista. Foi só quando me tornei mãe que fui me aproximar mais dessas questões, por um caminho bem pouco comum, cheguei ao feminismo porque decidi parar de trabalhar, me dedicar totalmente  à minha filha, ser mãe em tempo integral. E quando tomei esta decisão senti um enorme desconforto comigo mesma, pois mesmo nunca tendo reivindicado a etiqueta de feminista me senti de certa forma ‘traindo o movimento’, como assim eu ia abrir mão daquela liberdade pela qual tantas lutaram antes de mim? Será que eu não estava ‘regredindo’ aos primórdios do patriarcado, me tornando uma mulherzinha submissa e caseira?

Então aconteceu de eu conhecer (ainda que virtualmente) outras mulheres que também sentiam este desconforto e mais do que isso, que chegaram a ouvir muitos destes questionamentos dentro do próprio movimento feminista. Ainda espiando da borda comecei a perceber que estas questões não eram só minhas e que o discurso materno ainda é visto como um assunto menor dentro do feminismo – quando não é visto como totalmente incompatível com ele. Assim conheci o coletivo chamado Feminismo Parental, que está buscando, de maneira plural e colaborativa, desbravar as entranhas do feminismo old school, e cravar ali bandeirinha da maternidade, levantando pautas fundamentais e que ainda estão à margem do discurso feminista.

Pois bem, toda esta introdução foi uma desculpa para pedir uma ajudinha de vocês. A ONU Mullheres em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Secretaria Nacional da Juventude, a Secretaria-Geral da Presidência da República e o Governo Federal estãopromovendo o “Jovens Mulheres Líderes: Programa de fortalecimento em questões de Gênero e Juventude”. O programa terá 15 vagas para capacitação de lideranças. Queremos incluir as mães nessa parada e por isso a Natacha Orestes, idealizadora e fundadora do coletivo Feminismo Parental irá nos representar e concorrer para uma destas vagas.

Para reforçar sua ‘candidatura’ está rolando uma carta de apoio que você pode assinar clicando aqui

Vocês também podem assistir o vídeo de inscrição em que ela explica porque as pautas maternas são importantes para o feminismo.

Quem puder nos ajude a dar mais visibilidade ao discurso materno dentro do feminismo!

 

Dois passos para a frente, um para trás

Uma das coisas mais interessantes de se acompanhar tão de perto o desenvolvimento de um pequeno ser humano é perceber que este não é algo linear… O desenvolvimento se assemelha mais a uma dança, vai, volta, rodopia, avança, recua, sempre em movimento…

Desde que adquiriu a habilidade de engatinhar a Mônica está adquirindo mais autonomia, fica mais tempo com seus brinquedos, mais tempo sem mamar… Porém, em alguns momentos, parece que toda essa ‘independência’ gera uma certa insegurança no meu bebê… E então ela recua, quer mais colo, quer o peito o tempo todo, fica mais chorona como se tentasse me dizer que ainda não está preparada para amadurecer. Depois de alguns dias de muito colo, muita teta, choros durante o meu banho e uma mãe já de cabelo em pé – por mais que eu consiga entender estas fases é quase impossível não se estressar  um pouco – ela se acalma, volta a se distanciar, fica mais confiante… É como se a segurança de saber que estou disponível para ela lhe devolvesse a confiança que ela precisa para continuar indo adiante.

E fico feliz e agradecida por poder estar ali para ela, por poder segurar sua mãozinha, lhe dar colo, estar junto. Pois essa insegurança, este avança e recua, não acaba nunca… Mesmo quando for adulta minha filha ainda sentirá muito frio na barriga, muita insegurança, porque isso é normal, mas saber que se tem um apoio – que hoje somos eu e o Diego, mas amanhã poderá ser estendido aos amigos, companheiro(a), colegas –  alguém para segurar tua mão, para conversar ajuda muito…

E assim sigo admirando aqui a evolução do meu bebê, dois passos para frente e um para trás, avançando devagar, mas segura, sem atropelos, tudo a seu tempo… E me emociono…

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Na última semana ela só queria dormir assim no meu colo… A coluna ficou em frangalhos, mas passou 🙂

Em 2014, menos rótulos e mais carinho…

Quando adolescente meu apelido na família era “azedinha”, por conta da facilidade que eu tinha para perder a paciência. Durante muito tempo este rótulo pautou o meu comportamento. Eu era a “azeda”, mal humorada, reclamona… Esse comportamento já era esperado de mim. O que todos não sabiam é o tanto que eu tinha que me controlar para não perder a paciência sempre, que aquele comportamento explosivo acontecia em um mínimo das vezes, que na maior parte do tempo eu estava me controlando para não explodir, mas de vez em quando não dava, eu perdia as estribeiras, era chamada de “azedinha” e tinha mais uma questão para lidar e exercitar a paciência.

Com o tempo a gente vai amadurecendo, vai entendendo que não podemos jogar todas as nossas questões nos outros, eu consegui inclusive expor estas questões para a minha família… Exercito meu autocontrole todos os dias e descobri que na verdade sou uma pessoa bem calma e que posso expandir bastante os limites da minha paciência.

Toda essa introdução é para falar da responsabilidade que temos que ter antes de rotular uma pessoa – ou um grupo de pessoas – pois nunca sabemos o que este indivíduo está passando, suas questões internas e o quanto aquele rótulo vai repercutir com estas questões. Na linguagem escrita esta responsabilidade é ainda maior, um texto que eu publico hoje aqui no blog vai permanecer publicado, sobreviver à minha experiência, ainda poderá ser lido inclusive se eu mudar de ideia e não pensar mais da mesma maneira… E eu, blogueira, não tenho como saber o que aquela pessoa que está do outro lado da tela está passando, como ela está se sentindo. Meu texto pode ter apenas o intuito de desabafar, de criar uma polêmica, de levantar uma questão… Pode ajudar uma mãe ou ser o empurrãozinho que faltava para ela ir parar no fundo do poço!

Isso não quer dizer que eu precise ficar em cima do muro, que eu não vá me posicionar nas questões que já lidei durante o último ano – aleitamento materno e exclusivo até os seis meses do bebê, criação com apego, disciplina positiva e etc. – quer dizer que pretendo tratar estes assuntos com cada vez mais carinho, sem ataques, sem rótulos, porque como sempre falou a minha mãe “pra criar filho não tem receita de bolo”… A minha forma de criar a minha filha serve para mim e o que faço neste espaço é dividir experiências…

Em 2014, menos rótulos e mais carinho

Como a maternidade me ensinou a plantar

Eu sempre adorei plantas, acho que é porque meus pais sempre tiveram muitas folhagens em casa… Sempre quis ter um bonsai, uma horta de temperos, uma samambaia… Por conta dessa vontade já promovi o assassinato de muitos pobres vegetais que caíram em minhas mãos. Eu achava que fazia tudo certinho, nem água de mais, nem água de menos, um local iluminado…

Quando a Mônica nasceu meu pai me deu uma samambaia, pois é uma planta que precisa de pouca manutenção e uma plantinha chamada dólar – praticamente uma praga que sobrevive a quase qualquer condição – e desde então elas estão aqui em casa firmes e fortes… Então, há cerca de dois meses, trouxe uma mudinha de manjericão da casa da minha sogra. A espécie está dentre as que eu já matei tentando cultivar e por isso decidi ler mais sobre ela, fui atrás, plantei e o pézinho vingou! Pesquisei mais um pouco sobre outras plantas, descobri adubos, necessidades de sol variadas, quais gostam de mais água, quais gostam de menos…

A samambaia.

A samambaia.

E passados quase dois meses, minha casa que contava com quase nada de espécies vegetais hoje abriga dois pés de manjericão, um de hortelã, dez mudinhas de tomate, quatro de pimentão, alguns brotinhos de bergamota, um de uva, quatro dentes de alho e uma orquídea – além da samambaia e do dólar, já citados.

 

 

Mas o que isto tem a ver com maternar? Bem… Olhando para minhas plantas – vivas e fortes – percebo que essa coisa de criação com apego não afetou somente a forma como eu crio minha filha, alterou também a maneira como eu vejo o mundo… Fui atrás de ver o que minhas plantas precisavam para crescer, mas além disso, tratei de observá-las para entender o que elas estavam me pedindo. Entendi que sob diferentes condições a mesma planta tem diferentes necessidades – o pé de manjericão que está na minha área de serviço é regado a cada dois ou três dias, enquanto o que está na janela da minha sala, sob o sol forte, recebe duas regas diárias – que algumas gostam, de mais luz, outras de menos. Que um hortelã precisa de um vaso grande só para ele, que o tomate é delicado e sensível à fungos, que falta de adubo mata e o excesso também…Essa coisa de ser mãe está me ensinando a prestar mais atenção e enquanto vejo minhas plantas crescerem, cada uma com suas particularidades e necessidades únicas penso em como minha filha está crescendo, também me dando sinais de suas necessidades e do que precisa para florescer plenamente! A maternidade me trouxe um olhar mais apurado e assim, se já não bastasse toda a felicidade que me traz, me ensinou também a plantar!