Os dias ruins

Tem certos dias em que nada dá certo, eu já acordo errada. Não acho a roupa que eu queria vestir, a casa parece mais suja, a comida não fica como eu quero, o banco está cheio, o telefone toca, os emails não chegam… nada dá certo, tudo irrita, dá vontade de sumir! Isso não tem nada a ver com ser mulher, com estar com TPM e muito, muito importante, não tem ABSOLUTAMENTE NADA a ver com ser mãe. Duvida? Abra sua página do facebook ou do twitter agora e veja quantas pessoas sem filhos estão tendo um dia ruim, você vai se surpreender com o número de pessoas ‘se sentindo tristes/cansadas/exaustas’…

Mas acontece que há um ano sou mãe. E se antes quando eu estava tendo um dia ruim eu podia simplesmente fechar a cara e esperar o dia passar, hoje eu tenho que atender os milhares de chamados de “Mãmãin”, recolher aquelas moedas que insistiram de cair do meu bolso antes que a pequena as encontre, limpar a banana que ela amassou no chão, dar água, dar comida, trocar a fralda – pelo menos enquanto o Diego não chega do trabalho.

Pode parecer apocalíptico para algumas pessoas, não dá tempo nem de curtir um mal humor, mas  a verdade é que toda essa correria, inevitável quando se tem um bebê de um ano em casa, tem muitos lados positivos e um deles é justamente que você para de perder tempo com o que não é essencial… Todos nós temos dias ruins, dias de mal humor, dias em que nada dá certo, mas às vezes transformamos o que podia ser uma manhã ruim em uma semana ruim, um mês péssimo, um ano a ser esquecido. Quando se tem um bebê em casa não dá pra ficar remoendo pequenas coisinhas…

Hoje eu poderia estar aqui me remoendo para vocês, dizendo que não paro um minuto desde que a Mônica começou a engatinhar, que guardar as roupas em uma gaveta virou tarefa para duas pessoas – uma distrai o bebê e outra guarda as roupas antes que ela veja e tire tudo de dentro da gaveta – que meu chão vive cheio de restinhos de fruta, que não tenho tempo pra nada… Mas não, porque eu sei que sempre tive meus dias ruins, muito antes de ser mãe, que esses dias em que me sinto mais cansada, mais desanimada não tem nada a ver com a mônica, são meus. Eu poderia sair gritando com ela para que não jogue os livros da minha estante no chão, mas não vou fazer isso, vou juntá-los, subir de prateleira os que não quero que ela mexa e seguir brincando…

E quando vejo o dia já não está mais tão ruim, pois me dou conta que não havia motivo para estar se sentindo mal – e tudo continua igualzinho estava antes!